Pense que ao conhecer a história por detrás de cada assunto, pode nos fazer entender o presente e quem sabe tentar prever o futuro. Muitas vezes a história se repete, ela tende a ser cíclica e assim, faz com que tenhamos a capacidade ou pelo menos mais informações e conhecimento para quem sabe antever certas situações. Pense nisso. Entenda isso!
1. ESCAMBO, o início de tudo
Há muito tempo não tínhamos dinheiro, nem precisávamos dele, pois as transações comerciais se faziam a base da troca, o escambo propriamente dito, que significa permuta, barganha, reciprocidade, troca e era uma transação em que cada uma das partes entregava um bem ou prestava um serviço para receber da outra parte um bem ou serviço em forma de permuta. Lembrando que não existia o dinheiro, moeda. O escambo foi uma das primeiras formas de comércio.
Então, em determinadas praças, os interessados iam com seus excedentes e tentavam trocar por produtos que poderiam compor a sua necessidade. Como por exemplo, um agricultor tinha frutas, verduras ou legumes excedentes da sua produção para possíveis trocas. No mesmo momento e na mesma praça, uma espécie de feira, um carpinteiro poderia levar móveis, cadeiras ou algo do gênero e aceitava trocar seus produtos pelas frutas do agricultor. Ou até mesmo efetuar um serviço de carpintaria na casa do agricultor. Assim, vemos que as trocas se davam por bens e até mesmo por serviços diversos. A premissa era que sempre alguém tem algo que nos interessa e assim era preciso achar algo que interessasse a outro e assim fazer a troca entre si. Porém, nem tudo era tão simples, pois sempre tinha que haver a concordância e alinhamento de interesses. Em algumas vezes, como por exemplo, tinham três “comerciantes”, mas o número um queria uma coisa do número dois, mas o número dois estava interessado em algo do número três, que por sua vez queria algo do número um. Uma confusão, não? Logo isso gerava uma complexa operação, uma vez que os três não tinham interesses recíprocos encaixados. Para “casar” essas transações, por vezes, era muito complicado. Tinha que se fazer algumas concessões, compensações e operações mais complexas. Na ausência de um fator comum, como uma moeda, imagina a engenharia para cada um obter seu produto ou serviço de interesse?
E no Brasil não seria diferente. Este mecanismo de troca também foi largamente utilizado. Desde a descoberta temos dados que o escambo era utilizado. Quando da colonização portuguesa quem não ouviu sobre os descobridores que levavam o máximo de pau-brasil ou outras riquezas nossas e deixavam espelhinhos ou qualquer bugiganga para os índios. Mesmo que não houvesse proporcionalidade, valor financeiro, nem mesmo julgando o mérito e a transação desleal em si, verifica-se que esse mecanismo de troca se tratava já de um tipo de escambo. No entanto, mesmo assim, caracterizava uma questão de interesse entre as partes envolvidas.
Consegue imaginar que isso até hoje é feito? Muitas pessoas têm algo que não quer mais, porém, pode ser de interesse de outra pessoa. Hoje vemos anúncios de carros com a observação “avalio troca”, e vemos diversos produtos que também estão disponíveis para serem trocados por outros. Tudo dependente do interesse entre as pessoas. E assim, se transformou numa forma de negociação que até hoje é bastante utilizada entre as pessoas. “Sempre há um sapato velho, para um pé descalço”
Diante desses problemas de alinhamento entre os interesses, com as comunidades e sociedades crescendo muito, tinha que se encontrar um mecanismo que fosse mais fácil para transacionar as mercadorias e serviços. Sem contar com a logística para a intercâmbio entre as cidades. Imagine coisas grandes e pesadas serem transportadas para outros lugares. Tinha um desgaste, custos, uma logística complicada para se movimentar produtos e bens através de animais e outros meios.
E foi nesse cenário de transformação que se viu a necessidade de se criar um mecanismo ou algum instrumento que facilitasse essas transações comerciais. Foi aí que começaram a surgir outros meios de pagamento que não somente as trocas. Começaram a surgir as primeiras moedas. Não na forma que conhecemos hoje, mas uma espécie de moeda-mercadoria. Algo que pudesse ser o lastro para as operações e valesse para ambas as partes interessadas. Pela real necessidade de se ter mais flexibilidade e abrangência. Uma referência em comum que significasse uma “ponte” para os interessados. Um objeto ou coisa que simbolizasse um valor.
E essa transição foi feita em diversos lugares. Cada um contendo uma determinada “moeda” para lastrear as transações.
Então, vamos ver como foi essa evolução. Vamos mostrar como foram adotadas as primeiras formas de dinheiro substituindo o escambo.
E aí? Gostaram de saber como tudo começou? Muito interessante, não é?

Porém, a história continua. Não pare por aqui. Essa é somente a primeira parte de uma história bem legal.
















